Trabalhar no centro de São Paulo é uma das tarefas mais divertidas e simpáticas que eu tenho e amo. É incrível a variedade de coisas que encontramos por aqui. Além de ter todos os bancos por perto, ainda tenho a alegria de compartilhar meu dia à dia ao lado de carismáticos seres que desfilam com suas características ímpares para lá e para cá. Hoje, pra variar, resolvi aderir ao Mc Donald´s no almoço. Novidade, uma vez que nos últimos dias não estou tendo tempo nem para respirar, quem dirá fazer hora de almoço, esta tão sonhada hora que últimamente anda sendo por volta das 3 da tarde. Sinto-me privilegiada por trabalhar no meio do centro ao lado da 25 de março (meu refúgio nas tardes tranquilas) e ao lado da Liberdade (a terra do arroz, argh!) e por assim ser, escolhi o MC da Liberdade, mais “tranquilo” do que o MC da Sé. Doce ilusão numa sexta-feira às 14hrs. Pra começar uma fila imensa. Peguei meu lanchinho num saquinho porque resolveram aderir a economia de bandeja e para minha *sorte* ao ir procurar uma mesa, lá estava ela! Minha mesa de 4 lugares esperando por mim. Sentei e já notei a sujeira que estava, além de estar melada. Abri o saquinho de guardanapo e peguei um para fazer de “bandeja” para por o meu lanche em cima da mesa. Isso é mania. Herança de infância. Mamãe que me ensinou. Logo de cara, percebi que diminuiram o tamanho do guardanapo e na mesa ao lado, uma família muito agradável. Observei também que havia 2 LATAS de coca cola na mesa desta mesma família *agradável* com canudinhos do MC Donalds e fiquei por um instante até feliz por *achar* que estavam vendendo latas no MC agora, uma vez que refrigerante de máquina é uma maravilha que não desejo à ninguém. Havia duas crianças adoráveis na mesa comendo lanchinho enquanto a mãe e a avó estavam se deliciando em uma bandeja de sushi (argh!). Daí eu percebi da onde provinha as tais latas… Eu só queria comer meu lanchinho calmamente e de modo feliz quando uma das crianças que aparentava ter 9 anos começou a dar PI-TI quando a mãe sacou da bolsa um troço enorme parecido com maria-mole e entregou para ela. Filha mimada com mentalidade de 3 anos: Mãe o que é isso? Mãe calma: É bananada come! Filha mimada com mentalidade de 3 anos: Bananada do que? Mãe calma: É doce, come! Filha mimada com mentalidade de 3 anos: Se eu não souber o que é não vou comeeeeeeeeeer! Mãe calma: Come filha Filha mimada com mentalidade de 3 anos: EUUUUUU NÃÃÃÃÃO VOU COMERRRRRR O QUE NÃO CONHEÇOOOO! Ahhh! Aquilo já estava me stressando! Eu estava quase levantando e indo na mesa falar pra menina que se é BANANADA só pode ser de BANANA, e para a mãe que não custa nada falar: É DE BA-NA-NA!… E isso não é tudo! Também ia dar um chacoalhão na menina e falar: Vai esperar no carro sua criança mimada, irritante, chata, $#$%%… Sim, eu estava feliz antes disso, acreditem! A moça que estava na mesa ao lado, olhava para a mesa da menina com cara de quem estava vendo um ET, mal conseguia sentir o gosto da batata tamanha concentração em meio aos acontecimentos. A avó levanta para ir ao banheiro e *invade* o banheiro masculino (após ter ido na direção contrária, entrando na porta de acesso aos funcionários). A mãe grita: MÃE! A avó não escuta. A menina mais velha vai atrás da avó. Gritando. A avó não escuta. A menina mais velha alcança a avó. Ela escuta. Mas demora 15 segundos para entender que é na outra porta. Meu guardanapo acaba. Quero procurar um funcionário para trazer um. Mas os funcionários estão em pé-de-guerra. A funcionária briga com o funcionário porque ele não trouxe saco de lixo. O funcionário briga com a funcionária porque quem vai trazer o saco de lixo é o terceiro funcionário. O terceiro funcionário chega enfim com o saco de lixo para semear a paz. A paz não reina. A funcionária reclama do funcionário para o terceiro funcionário. O MC pára. Todos estão comendo observando a discussão. O terceiro funcionário percebe. A funcionária não. A funcionária sai gritando no meio do salão subindo as escadas com o funcionário. Eles se vão. Não estão mais entre nós. Eu ainda estou sem guardanapo. E pedi o maior lanche lotado de molho. Eu já faço sujeira por natureza com molhos. Nada mais falta acontecer. Eis que surge uma mulher vindo em minha direção. Ela senta ao meu lado. Entenda, senta na mesma mesa que eu, ao meu lado. Olho para ela esperando uma reação. Ela abre o lanche dela. Falo para o meu EU INTERIOR : “Pedir licença ainda está na moda”. Mas a voz não sai e ela não escuta. Falo novamente para o meu EU INTERIOR. Desta vez respondo a pergunta que ela não perguntou porque não sabe que pedir licença ainda está na moda: “Sim! Estou sozinha e NÃO! eu não estou esperando ninguém, pode sentar, fique a vontade”. Me levanto. Levantei porque achei que estava atrapalhando ela. E também porque já estava acabando de comer. Jogo meu lixo no lixo, coisa que as pessoas que frequentam ali deveriam fazer. Vou até o banheiro para lavar minhas mãozinhas que imploram por um guardanapo. Uma pia. Uma moça esconvando os dentes LENTAMENTE na pia. Eu atrás dela. 1 minuto. 4 minutos. Ela escova os dentes. Um a um dos seus 32 dentinhos. Lentamente. Está se sentindo no banheiro de sua casa. Eu atrás. Ela abre espaço. Eu lavo minhas mãos. Subo a escada e atravesso a porta do MC DONALD´S. Agradeço a funcionária que está na porta. Ela não responde.
Dia: 4 de julho de 2008
O moço foi comprar cigarros…
Humor não dos melhores. Aliás, que humor? Pessoas a olham e ela pergunta “o que foi”. Ansiedade fora de controle. (Sim! ainda mais ansiosa. Ela consegue, ela se supera), irritação, vontade de ficar parada olhando pro nada até seu querido humor voltar do banheiro. Checando o celular de dois em dois minutos, apertando enviar e receber no outlook de dois em dois minutos, fazendo merda de dois em dois minutos. Incapaz de se concentrar em absolutamente nada. Acha que é o tempo. Acha que é a lua. Mas a culpa é do moço. É a síndrome de abstinência das conversas intermináveis com o moço. O mesmo moço que deve ter ido *comprar cigarro*. Dá pra voltar A-GO-RA ?
Tem gente que PENSA DEMAIS.
O mal da humanidade: Pensar, *demais* ! …assim mesmo, com asteriscos. As pessoas pensam…. Pensam se vale à pena namorar e quando namoram pensam se vale à pena abrir mão de tudo e voltar a ser solteiro. Pensam se aquela proposta de emprego pode ser melhor do que o que está hoje. Pensam se estão agindo certo e pensam se estão afim ou não. Pensam até se estão com vontade “mesmo” de ir ao banheiro ou se dá para segurar mais um pouquinho. Pensam se estão com fome. Pensam mesmo! Param antes de levantar da cadeira, olham para o nada e ficam quietos por um segundo como se pudessem entender o estômago e SENTIR se estão ou não com fome. Pensam se vão sair hoje ou se vão ficar “guardados”. Pensam se querem ou não. Uma hora querem, outras já não tem mais certeza se daria certo… Tudo isso porque pensam demais. Enquanto isso… O ponteiro do relógio não para de girar. Os dias não param de correr. Sua vida não para de ir adiante. O tempo passa. As coisas passam por você sem que você consiga se decidir. Adia para o amanhã as respostas de seus pensamentos que provavelmente nunca a *certeza* o adjetivará. A indecisão toma conta de 99% das mentes dos Homo Sapiens Sapiens, nossa tão querida espécia procriadora de dúvidas diárias e experiências inovadoras ou se preferirem, de animais racionais que somos. Sim, somos animais. Querendo, ou não. Se bem que tem algumas pessoas que levam isso muito a sério. Uma pena. Mas voltando… O que fazer? Investir em CERTEZAS antes que a correnteza o leve para um marasmo de dúvidas sem fim que vão crescendo a cada instante, transformando o pouco que resta do seu EU INTERIOR em um monstro dominador de suas próprias ações. Dicas: Arrisque, defina metas, viva intensamente dia após dia, crie expectativas e as cumpra, oras! Vá atrás do que você quer e acredita, corra atrás de seus sonhos e os torne reais. Invente coisas, palavras, sinônimos, antônimos, crie vida para os seus dias, cores jamais vistas. Repare no dia em sua volta, no céu, nas estrelas, no movimento das plantas. Tire um momento para você, só seu, em seu canto secreto (não tem canto secreto? que triste! Todo mundo tem que ter o seu canto secreto, aquele onde você para sozinho na certeza de que não será encomodado e faz uma reflexão sobre tudo. Se não tem ainda seu canto secreto, o crie! Box do banheiro na hora de tomar banho também serve, rs). Domine sua vida, faça valer a pena, deixe marcas. Use o pensamento para tornar suas atitudes REAIS, e não para criar dúvidas sem solução. Pense no que quer que aconteça, detalhe seus pensamentos, crie no seu pensar a fórmula secreta que fatalmente se materializará em muito breve e você voltará aqui para me dizer: “Pensei no que eu queria, pensei em como eu queria, pensei tanto que senti até o cheiro e por pouco consegui tocar e uma semana depois o que eu queria estava alí, bem diante dos meus olhos”. Não é magia, não é mágica, não é fórmula secreta nem antíduto para ser feliz. É apenas USAR esta sua coisa tão chata diária que é PENSAR PENSAR e PENSAR à favor de você mesmo! Penso, logo existo!